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A África e o desafio do acesso à energia

 Grande parte do continente africano, excluindo a África do Sul, tem um déficit gigante de acesso à energia e eletricidade - 621 milhões de habitantes não tem acesso à eletricidade, 4/5 da população do continente depende de energia de biomassa sólida, especialmente lenha e carvão, para cozinhar, o que acaba causando 600 mil mortes por ano pela contaminação do ar.

Para fazer frente a este desafio será necessário aumentar em 10 vezes a geração de energia de maneira a garantir o acesso à eletricidade para todos os africanos até 2030. Estes são alguns dos dados levantados pelo relatório Energia, Pessoas, Planeta: Aproveitamento das oportunidades Africanas em Energia e Clima.

O relatório foi produzido pelo Painel para o Progresso de África (APP, pelo seu nome em inglês), liderado pelo ex-secretário geral da ONU Kofi Annan. Segundo o documento, a escassez de energia diminui o crescimento potencial da África entre 2% e 4% ao ano, atrasando os esforços de criação de empregos e redução da pobreza. Apesar do crescimento da última década, a lacuna de geração de energia no continente, em comparação com outras regiões no mundo, está aumentando. A Nigéria, por exemplo, é uma superpotência exportadora de petróleo, mas 95 milhões de seus cidadãos dependem da queima de lenha, carvão vegetal e palha para terem acesso à energia.

O relatório revela que em muitos países africanos mais de 80% das escolas não contam com energia elétrica. Em geral, as famílias que vivem com menos de R$ 7,80 por dia gastam, coletivamente, mais de R$ 31 bilhões a cada ano em produtos relacionados à energia, como carvão, querosene, velas e tochas. As habitações mais pobres de África pagam, cada uma, em torno de R$ 31,00/kWh em iluminação - 20 vezes mais do que as habitações mais ricas da África. Em comparação, o custo médio nacional de eletricidade nos Estados Unidos é de R$ 0,37/kWh e no Reino Unido é de R$ 0,47/kWh.

O Painel para o Progresso de África considera que esta é uma significativa falha de mercado. As tecnologias renováveis de baixo custo poderiam reduzir o custo da energia, beneficiando milhões de famílias pobres, criando oportunidades de investimento e reduzindo as emissões de carbono. O relatório defende que os líderes africanos devem começar uma revolução energética que conecte os desconectados e atenda às demandas dos consumidores, das empresas e dos investidores com um suprimento de eletricidade confiável e a preços acessíveis.

"Rejeitamos categoricamente a ideia de que o continente africano precisa escolher entre crescimento e desenvolvimento de baixo carbono", diz Kofi Annan, presidente da APP. "A África precisa utilizar todos os seus ativos energéticos no curto prazo, enquanto constrói as bases para uma infraestrutura de energia competitiva e de baixo carbono".

O relatório desafia os governos Africanos e seus parceiros internacionais a aumentar o nível de ambição para a Cúpula do Clima, que vai acontecer em dezembro, em Paris, e apela pela reforma do sistema fragmentado, ineficaz e carente de recursos de financiamento do clima. Chama a atenção, também, para a política de subsídios aos combustíveis fósseis por parte dos países do G20, pedindo sua eliminação até 2018.

"Muitos governos de países ricos dizem querer um acordo climático. Mas, ao mesmo tempo, bilhões de dólares de dinheiro dos contribuintes estão subsidiando a descoberta de novas reservas de carvão, petróleo e gás", diz Annan. "Eles devem retirar o carbono do mercado por meio de tributação e parar de subsidiar a catástrofe climática".

O Brasil figura em vários momentos no relatório, que reconhece os esforços feitos para universalizar o acesso especialmente das populações mais pobres à eletricidade e os investimentos em fontes renováveis.

O físico e especialista em energia Delcio Rodrigues acredita que o relatório da APP aponta para uma grande oportunidade econômica para o Brasil neste momento na África: "nosso país tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e detém tecnologias relevantes para o progresso do continente, como o etanol, biodiesel, pequenas centrais hidrelétricas, aquecimento solar e, mais recentemente, a tecnologia de energia eólica, e deveria atuar mais fortemente para levar estas soluções de energias renováveis para a África".

http://www.brasilpost.com.br/renato-guimaraes/a-africa-e-o-desafio-do-a_b_7516108.html


06/2015

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