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Biocombustíveis de algas ainda distantes do mercado no Brasil

Sérgio Goldemberg, gerente da Algae Biotecnologia, de São Paulo. "O difícil não é criar algas, é torná-las um negócio"

Por outro lado, a necessidade de óleos vegetais refinados no país chamou a atenção da empresa.

O Brasil é um importador de óleo de palma (dendê), utilizado em produtos que vão de cremes de beleza a alimentos. Atualmente, o país produz metade do que consome. Segundo a Solazymes, quando a usina operar em plena capacidade (a estimativa é daqui a dois anos) será possível reduzir em até 60% as compras de óleo de palma do país.

Já as empresas menos capitalizadas estão sendo obrigadas a diversificar para "sobreviver", diz Sérgio Goldemberg, gerente da Algae Biotecnologia, de São Paulo. "O difícil não é criar algas, é torná-las um negócio". E não é só no Brasil, ele afirma. Muitas empresas dos EUA, que lideravam a corrida tecnológica com microalgas, mudaram o rumo no meio do caminho ou simplesmente fecharam.

Pertencente ao grupo Ecogeo, a Algae surgiu em 2009 com um aporte de R$ 3 milhões para pesquisas que resultariam no que seria a sensação verde automotiva. "A meta é chegar a R$ 2 por litro, mas ainda não estamos prontos para o grande show das microalgas", diz Sergio, filho do ex-secretário de Meio Ambiente, José Goldemberg.

Para ele, escolhas erradas e a indefinição da rota tecnológica impedem o avanço rápido das pesquisas. Isso porque há muitas questões em aberto. Qual o melhor sistema de produção, em tanques abertos, mais vulneráveis à contaminação por micro-organismos, ou fechados, mais caros? Qual a melhor água para a reprodução - doce, salgada, salobra? Qual a variedade ideal de microalga?

Uma das técnicas mais praticadas de nutrição das micro-algas é a injeção de sacarose nos tanques, mas esse sistema pode se provar caro já que a chamada taxa de conversão é baixa - ou seja, é preciso um volume grande de açúcar para alimentar as micro-algas. "Vamos ter um atraso de cinco a dez anos na produção do biocombustível de micro-algas até ter essas respostas. E não conseguimos nos manter sem outras opções por tanto tempo assim. O lado bom é que estamos conhecendo novas aplicações que nos darão sobrevida". Uma delas é o uso da biomassa de microalgas para nutrição animal, em substituição à farinha de peixe.

Para a Petrobras, não se trata de um atraso nas bombas. A estatal diz ter trabalhado com um prazo mais longo que o setor privado.
"Nossa expectativa sempre foi muito pé no chão", diz Norberto Noschang, gerente de tecnologia para biocombustíveis. Ele explica que havia muita coisa a ser analisada (como a identificação das cepas ideias em meio a mais de três mil espécies de algas) e desafios "que o pessoal também não esperava".

"Não dava pra sair antes disso", diz ele, citando problemas que a própria estatal enfrentou durante o processo de tentativa e erro de produção. "Tivemos um episódio de contaminação do tanque que parecia o Pac-Man", diz ele. "Tivemos de aprender a controlar".

A estatal brasileira iniciou em 2006 os estudos em laboratório com micro-algas. Hoje tem seis tanques, com quatro mil litros cada, no Rio Grande do Norte, lugar que acredita ser mais propício à produção. É a chamada fase-piloto, que vem depois do laboratório e antes da demonstração, que deverá ser iniciada no fim deste ano.

Noschang diz que projeta a chegada do biocombustível ao mercado brasileiro até 2018.

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06/2013

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