Busca
Português|English
HOME|Mapa do site|Versão Impressão
Foto: Araquém Alcântara
HOME
QUEM SOMOS
UNIDADES CONSERVAÇÃO
MUDANÇAS CLIMÁTICAS
ENERGIA RENOVÁVEL
REMEDIAÇÃO
INVESTIMENTOS IMPACTO
PROJETOS
NOTÍCIAS
FALE CONOSCO
TRABALHE CONOSCO
INSTITUTO EKOS BRASIL
Av. Dr. Chucri Zaidan, 1550, cj. 1208
04711-130 - São Paulo - SP
Tel +55 11 5505-6371
Tel +55 11 3589-1502
INSTITUTO EKOS BRASIL / NOTÍCIAS / ESTRADA NO AM DÁ PREJUÍZO...
ESTRADA NO AM DÁ PREJUÍZO, DIZ NOVO ESTUDO

Análise de custo/benefício do asfaltamento da BR-319 mostra que saldo negativo mínimo é R$ 315 milhões em 25 anos. Se custo do carbono emitido for computado, obra do PAC fica deficitária em R$ 2,2 bi; desmatamento equivale a 1 Estado do Rio em 30 anos.
Marcelo Leite para a Folha de São Paulo

(15/04/09) De qualquer ângulo que se contemple, a recuperação da rodovia BR-319 -a Manaus-Porto Velho, uma obra do PAC- é mau negócio. A conclusão está em um novo estudo de custo/benefício, o segundo a condenar a estrada, que prevê prejuízo mínimo de R$ 315 milhões nos próximos 25 anos. Na pior hipótese, o saldo negativo chegaria a R$ 2,2 bilhões.

A análise independente da obra de interesse do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR-AM), leva a assinatura da organização não-governamental Conservação Estratégica. Trata-se do braço brasileiro da americana Conservation Strategy Fund (CSF), especializada em estudos de racionalidade econômica de projetos que afetem o ambiente. A BR-319 corta uma área de floresta amazônica muito preservada e tida como de alto valor em biodiversidade. Por causa da alta pluviosidade, tem baixo potencial para agropecuária. A pavimentação de rodovias na Amazônia, contudo, atrai migrantes e assentamentos rurais -e também grilagem de terras, extração predatória da madeira, pecuária e desmatamento.

A avaliação anterior, que apontava prejuízo ainda maior (R$ 10,5 bilhões em 20 anos), consta do estudo de impacto ambiental que será objeto neste mês de audiências públicas. O primeiro estudo foi feito pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e conclui que a intervenção do Estado poderia reduzir em 95% o desmatamento induzido pela estrada.
O projeto orçado em R$ 557 milhões consiste na repavimentação de um trecho de 405 km no Estado do Amazonas e na construção de quatro pontes. Aberta pelo Exército em 1973, a rodovia só é transitável hoje perto de Manaus e Porto Velho. A parte central encontra-se abandonada desde 1986.
 
"A BR-319 é a única ligação rodoviária entre os Estados do Amazonas e de Roraima rumo ao Centro-Sul do país", justifica o Ministério dos Transportes, por sua assessoria de imprensa. "Essa rodovia é parte de importante corredor de transporte sul-americano, que conecta o Brasil aos portos do Pacífico."

O relatório ainda inédito da CSF, intitulado "Eficiência Econômica, Riscos e Custos Ambientais da Reconstrução da Rodovia BR-319", afirma que não existe estudo oficial demonstrando que os benefícios da obra compensarão seus custos, como seria obrigatório em projetos de grande porte. A análise prévia de viabilidade econômica, nesses casos, deve ser submetida à Comissão de Monitoramento e Avaliação do Plano Plurianual (CMA).

Obras do PAC, porém, estão fora da alçada da CMA. O Ministério dos Transportes alega que a exigência de estudo de viabilidade se aplica só a novas rodovias e que a BR-319 não se enquadra nela por ter sido construída na década de 1970.

No primeiro cenário montado pela CSF entrou só a análise econômica convencional de projetos de infraestrutura. Nessa ponderação, coteja-se o investimento no projeto com os benefícios esperados, como a economia de tempo por produtores e passageiros e de dinheiro com fretes e passagens. O estudo segue metodologia sugerida pelo Banco Mundial.

Estima-se, por exemplo, que quase 50 mil pessoas optariam por fazer de ônibus viagens entre Porto Velho ou Rio Branco e Manaus, e não de avião. A diferença poupada nas tarifas vai computada como benefício.
Cálculo similar é realizado para cargas. De acordo com a CSF, o transporte fluvial permaneceria 66% mais barato que o uso de caminhões na BR-319 pavimentada, ainda que neste caso o tempo de trajeto ficasse reduzido em 44%.

Trinta e três centavos

Feitas as contas, o saldo do empreendimento seria negativo em R$ 315 milhões. Só 33 centavos de benefícios decorreriam de cada real investido.

O segundo cenário, que inclui custos ambientais, é ainda mais desfavorável à obra. O relatório serviu-se de projeções anteriores do grupo de Britaldo Soares-Filho na Universidade Federal de Minas Gerais, para estimar o desmatamento induzido pela BR-319 recuperada: 4 milhões de hectares até o ano 2030 (ou 40 mil km22, quase o território do Rio de Janeiro), ou 210 mil hectares/ano.

Cada hectare de floresta estoca cerca de 150 toneladas de carbono, que em caso de desmatamento termina na atmosfera e contribui para agravar o efeito estufa. O passo seguinte foi calcular o valor desse estoque, em créditos de carbono, para computá-lo como prejuízo -uma vez que sua destruição impediria a comercialização de títulos correspondentes no mercado internacional. Saldo: até R$ 2,2 bilhões de perda.
 
Transportes diz que obra será "parque"
 
O Ministério dos Transportes afirma que não contrariou diretriz do Planejamento ao não providenciar estudo de viabilidade econômica para a reconstrução da BR-319, pois essa exigência valeria só para novas rodovias, não para a recuperação de uma que já existe.

 A Pasta afirma que a BR-319 terá foco na proteção ambiental: "Ao longo da estrada-parque serão demarcadas unidades de conservação em mais de 9 milhões de hectares de floresta amazônica, com investimentos de R$ 39 milhões".
 
 

04/2009

< voltar às notícias