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Foto: Araquém Alcântara
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Humanidade, meio ambiente e o pecado contra as futuras gerações

 A encíclica papal "Laudato Si - Sobre o cuidado da casa comum" foi lançada oficialmente pelo Vaticano. É um documento extraordinário, leitura obrigatória não apenas para os católicos, mas para todo mundo preocupado com o impacto das ações humanas sobre o meio ambiente. Esta ideia, aliás, ficou clara do discurso de apresentação do documento, quando o cardeal Peter Turkson deixou claro que a encíclica não se dirigia apenas aos fieis católicos, mas que é uma carta dirigida a toda a humanidade.

Particularmente, considero fundamental contar com um líder global da estatura do Papa Francisco decidido a exercer sua liderança de forma positiva e propositiva neste momento crucial na história da humanidade. Ambos, o Papa e esta encíclica, serão lembrados daqui por diante pela mensagem e visão que trazem.

É preciso deixar claro que a mensagem papal não é realmente nova e muitos ativistas e cientistas vem defendendo, há muito tempo, pontos semelhantes sobre o papel da humanidade na natureza, especialmente nas mudanças climáticas. O que o Papa traz de novo é codificar os ensinamentos da Igreja sobre a Criação, amalgamá-los com o consenso científico, especialmente sobre as mudanças climáticas, e fazer um chamado ao imperativo moral de cada ser humano frente à Natureza e ao Próximo.

O Papa fala aos bilhões de seguidores da Igreja Católica, mas deixa claro que defender toda a vida é uma missão para todos e cada um de nós, sem exceção.

Sugiro fortemente a leitura da encíclica Laudato Si. O texto é saboroso, fácil de ler. É possível reconhecer o estilo do Papa Francisco em cada parágrafo. Quase como se ele estive ditando o texto para nós. O documento oficial em português está disponível aqui. A rádio Vaticana criou um guia de leitura da encíclica, com alguns destaques de cada capítulo. Veja aqui.

O Observatório do Clima também produziu uma análise bem completa da encíclica, que pode ser encontrada aqui e cuja leitura é mais do que recomendada. 

Da apresentação da encíclica no Vaticano participaram três figuras importantes da Igreja: o Cardeal Peter Turkson, Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz no Vaticano, John Zizioulas, Metropolitano da Igreja Ortodoxa Oriental de Pérgamo, e o Dr. Carolyn Woo, presidente e CEO da Catholic Relief Services.

Abaixo seguem alguns do comentários levantados por eles durante suas apresentações ajudam a iluminar ainda mais o impacto da encíclica, do ponto de vista da Igreja:

Cardeal Peter Turkson:
"Somos parte da natureza. Não temos duas crises distintas, uma ambiental e outra social, mas sim uma única crise socioambiental complexa. Este é o contexto no temos de colocar alguns dos temas da Encíclica." 

Metropolitano John Zizioulas:
"Nas páginas da Encíclica há alimento para o pensamento para todos: cientistas, economistas, sociólogos e, acima de tudo, para os fiéis da Igreja".

"A Igreja deve agora introduzir o pecado contra a natureza, o pecado ecológico. Não é um pecado apenas contra Deus, mas contra nosso vizinho e também, e isso é muito grave, contra as futuras gerações."

Dr. Carolyn Woo:
"As pessoas muitas vezes pensam que os negócios são um mal necessário. Essa é uma oportunidade para as empresas mostrarem que são um bem necessário".

"Todas as criaturas têm um valor inerente, e este valor não depende do preço que os seres humanos puseram sobre elas."

"Não tem ninguém que possa absorver as externalidades dos negócios. Somos nós e nossos filhos que vão absorver estes custos".


06/2015

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