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INVENTÁRIO DE EMISSÕES: MINAS E RIO NA FRENTE

Presidente Lula pede que todos os estados façam levantamento detalhado a respeito dos gases lançados por cada setor para possibilitar maior controle e redução das taxas

A sete dias da Conferência das Partes da Convenção das Mudanças Climáticas (COP-15), quando estarão reunidos em Copenhague, na Dinamarca, representantes de 193 países para debater os rumos da política internacional sobre o clima no planeta e o comprometimento de cada um na redução das emissões de agentes causadores do aquecimento global, Minas Gerais e Rio de Janeiro saem na frente quando o assunto é inventário do lançamento de gases. Eles são os únicos no Brasil que já têm dados documentados. O levantamento detalha quais são os setores econômicos e da sociedade geradores de gases que contribuem para o efeito estufa. "Essa é uma forma não só de conhecer o que ocorre em termos de poluição regional, mas também para que sejam criadas políticas públicas para um desenvolvimento limpo", diz o vice-presidente da Câmara de Energia e Mudanças Climáticas do Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas, Paulo Eduardo Fernandes de Almeida.

Os gases considerados mais nocivos ao planeta são o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), o óxido nitroso (N2O) e os chamados CFCs. No Brasil, mais de 70% das emissões são originárias do desmatamento, grande parte na Amazônia, mas também no cerrado. O restante é proveniente de setores como transporte, indústria e agropecuária. De 1990 a 2005, o Brasil aumentou em 62% a emissão de gases de efeito estufa. O dado foi apresentado na semana passada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. Os últimos dados eram de 1994 e estavam defasados havia 15 anos.

Apesar de a destruição da floresta na Amazônia ter caído para um patamar inferior aos 8 mil quilômetros quadrados/ano, no cerrado esse índice ultrapassa os 20 mil quilômetros quadrados/ano. Ao anunciar o plano voluntário brasileiro para a redução dos gases nocivos ao meio ambiente, há 10 dias, e menos de uma semana depois sinalizar com a possibilidade de transformá-lo em lei, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que os estados façam seus inventários.

Em São Paulo, estado mais desenvolvido industrialmente do país e, por essa razão, talvez um dos maiores poluidores, a produção do inventário foi anunciada há 20 dias, quando o governador José Serra (PSDB) sancionou lei para a redução das emissões de gases. O documento deve ficar pronto em 2011. A aprovação da lei estadual de mudanças climáticas obrigará os paulistas a reduzir sua emissão em cerca de 20 milhões de toneladas até 2020, tendo como base a emissão de 2005. O esforço equivale a cortar quase metade do que a indústria paulista emitiu de CO2 em 2006, quando o total chegou a 38 milhões de toneladas. A meta é considerada ousada por especialistas.

Em Minas, a metodologia do inventário teve como base o padrão adotado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (IPCC/ONU), para que fosse possível comparar os dados do estado com o restante do mundo. É importante que cada estado saiba quanto gera, para que possa apresentar propostas mais limpas de desenvolvimento econômico. "Minas gerou 122,95 milhões de toneladas de gás carbônico na atmosfera em 2008. Só com o inventário em mãos, sabendo quais as maiores fontes geradoras e conversando, pensando, é que conseguiremos propor melhorias tecnológicas para reduzir a produção e a emissão dos gases nocivos ao planeta", explica Paulo Eduardo Fernandes.

PROJETOS PROMISSORES O mundo emite atualmente 390ppm (partes por milhão) de gases e uma das metas é baixar esse número para 340ppm, pelo menos. "O setor de energia (que inclui transporte, indústria, consumo residencial e agropecuário) é o que mais emite gases de efeito estufa em Minas Gerais, respondendo por 37% do total no estado. Em seguida, vêm a pecuária, com 29%; florestas e mudança no uso do solo, com 20%; resíduos sólidos e processos industriais, com 6%. Com base nesses percentuais, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) tem trabalhado com esses setores e proposto projetos para redução nas emissões", explica Paulo Eduardo.

Desenvolvido pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), um dos projetos em teste de viabilidade consiste no aproveitamento de resíduos sólidos para gerar energia. "A ideia é construir uma usina térmica que queime esse resíduo. O calor resultante da queima seria usado como energia. Outro estudo já em andamento é coprocessar o lixo na indústria cimenteira, em substituição ao combustível fóssil nos fornos. O trabalho é desenvolvido pela Fundação Estadual de Meio Ambiente em Montes Claros, Norte de Minas, em parceria com a Associação Brasileira de Cimentos Portland", acrescenta Paulo Eduardo.

Para saber qual é a emissão de gases na agricultura, a Feam e a Universidade Federal de Viçosa estão mapeando e calculando o estoque de carbono em solo mineiro. A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) também estuda a área que sofre impacto da mineração em território mineiro e avalia de que forma esses terrenos poderiam ser reflorestados. São projetos ainda incipientes, mas com potencial para promover uma verdadeira revolução verde no estado.

 
Publicado no O Estado de Minas em 1º de dezembro de 2009
 

12/2009

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