Biodiversidade em extinção, reunião de ex-ministros e desenvolvimento. O que tudo isso tem a ver? 

Por Ciça Wey de Brito 

Esta semana certamente foi conturbada para quem respira mais de perto as questões sobre o meio ambiente, se é que não deveria ter sido para todos nós.

Vimos a mídia anunciar um dos mais completos relatórios realizados sobre a biodiversidade no planeta. E os resultados não são nada animadores. Mais de um milhão das oito milhões de espécies animais e vegetais existentes na Terra estão ameaçadas de extinção e podem desaparecer em poucas décadas, anunciou o relatório da Plataforma Intergovernamental Sobre Biodiversidade e os Serviços Ecossistêmicos (IPBES).

O relatório é fruto de um estudo de três anos realizado por 145 especialistas de 50 países com a colaboração de outros 310 cientistas.

E como o Ekos tem uma atuação prioritária em biodiversidade, isso nos preocupou demais. Será que a sociedade tem consciência do que esses dados significam?

Afinal, já há algum tempo a discussão ambiental tem sido focada quase sempre na discussão de saídas para grave crise climática pela qual passamos. E como ficam a fauna e a flora, em resumo – a biodiversidade em tudo isso?

Pouco se fala sobre a íntima relação entre a biodiversidade e a nossa vida cotidiana, nosso desenvolvimento enquanto sociedade. Enquanto muitos sabem dos efeitos da ação humana com relação ao clima, temos a impressão de que pouquíssimas pessoas conhecem e compreendem o que é a biodiversidade, sua relação com os serviços ecossistêmicos (ou dos ecossistemas) e nossas decisões no dia a dia.

Estes serviços são ofertados pelos sistemas naturais de forma silenciosa, constante e “de graça”. Entre eles estão a polinização por insetos e mamíferos de plantas cultivadas; o movimento dos mares que influenciam as chuvas e os ventos; as florestas que ajudam a regular o clima, a manter a umidade; os microorganismos que contribuem para produzir os solos e muito mais.

Sem os serviços ecossistêmicos não haveria como nossas sociedades se manterem, se desenvolverem. Especialmente no Brasil, país que investe pesado na produção agropecuária, e aonde a maior parte da produção de energia vem das hidrelétricas, valorizar estes serviços é mesmo uma questão de sobrevivência.

No entanto, o que ainda vemos em parte da sociedade brasileira é a desconsideração por estes serviços e a criação do falso, perigoso e ultrapassado discurso de haver antagonismo entre desenvolvimento e a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, enfim, o desenvolvimento versus o meio ambiente.

Nesta semana oito ex-ministros do meio ambiente do Brasil precisaram se reunir para alertar a população e os governantes sobre esse perigo.

Na reunião realizada no último dia 8 de maio, os ex-ministros foram enfáticos em avisar que o Brasil depende da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos para ser a potência agrícola que é, por exemplo.

Proteger nossa biodiversidade é sinônimo de proteção do nosso crescimento econômico sustentável e desenvolvimento social justo.

A população precisa saber que o Brasil tem grande potencial para ganhar dinheiro e se desenvolver socioeconomicamente conservando a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos. Somos uma potência ambiental e não temos tirado o devido proveito disso.

Já imaginou sermos protagonistas de uma economia baseada nas informações genéticas presentes na nossa biodiversidade que mal conhecemos? Hoje se fala da nova revolução industrial, da indústria 4.0 onde a inteligência artificial, internet das coisas, impressão em 3D, e a biotecnologia são as grandes apostas.

São muitos os caminhos para o sucesso, mas se todos forem pavimentados pela conservação da biodiversidade e serviços ecossistêmicos. Porém, nenhum deles estará à nossa disposição se apoiados na extinção de espécies, do meio ambiente.

 

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