Brasil agora tem atlas da biodiversidade online com mais de 160 mil espécies catalogadas

Você sabia que o Brasil descreve uma espécie animal e duas de planta por dia? Nossa biodiversidade é realmente muito rica, mas ainda pouco conhecida. Cerca de 200 mil espécies já foram registradas, mas de acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, a biodiversidade brasileira pode abranger até 1,8 milhão de espécies e o que conhecemos hoje ultrapassa pouco mais dos 10%.

O trabalho é árduo, mas no final de agosto, uma importante iniciativa ganhou destaque nacional: o lançamento do Atlas do Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). A iniciativa do governo federal em parceria com outras instituições como a ONU Meio Ambiente reúne catálogos contidos em coleções de museus (como o Zoológico da Universidade de São Paulo e e o Emílio Goeldi, do Pará), jardins botânicos (como o do Rio de Janeiro) e projetos de pesquisa de todo o Brasil, além de informações que estavam em espaços como esse em outros países.

Com informações de 97 instituições, 191 coleções e 361 conjuntos de dados, agora será mais fácil pesquisar sobre a nossa biodiversidade. O Atlas pode ser acessado por cientistas, gestores públicos e pelo público em geral. 

Seção do site mostra espécies iconográficas do Brasil

Para o professor Braulio de Souza Dias, do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB), a análise de dados da biodiversidade brasileira agora precisa abarcar grandes volumes e ser capaz de extrair inteligência desses dados, prática em voga e conhecida como Big Data.

“Temos modelagem para o clima e não temos para biodiversidade. O desafio é lidar com diferentes tipos de dados de biodiversidade para distintos usos visando finalidades de boa governança”, disse Dias.

Ferramentas como essa deveriam ser a base para tomadas de decisão por gestores públicos. Apenas com amplo conhecimento da nossa biodiversidade, nosso país terá a consciência de que mantê-la viva e em equilíbrio é uma fonte econômica muito mais importante e significativa do que qualquer atividade que requeira sua destruição.

Fonte: EBC