Precisamos reconstruir a vida marinha

Comunidade científica apresenta a reconstrução da vida marinha como um grande desafio alcançável para a ciência e para a sociedade 

Eles cobrem três quartos da superfície da Terra e são vitais para a existência humana.

De acordo o artigo Rebuilding Marine Life*, da revista Nature de abril deste ano, os oceanos contribuem com 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), fornecem empregos para 1,5% da força de trabalho global, além de serem fonte de água, alimento e energia limpa. A essas estatísticas podemos somar alguns dados da Zona Costeira marítima brasileira, do Ministério do Meio Ambiente, com seus mais de 8.500 km de extensão e abrangência de 17 estados e mais de 400 municípios, dentre eles muitas capitais do sudeste e nordeste, de grande volume populacional, que demonstram seu valor social e econômico também para o nosso país. 

Por isso, no mês de celebração do Dia Mundial dos Oceanos propomos uma reflexão mais profunda sobre nossos oceanos, baseada no artigo já citado acima, sobre a importância de uma verdadeira reconstrução da vida marinha como uma meta essencial para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (“vida abaixo d’água”). 

“Além de ser necessária, a reconstrução substancial da vida marinha dentro do espaço de tempo de uma geração humana (até 2050) é, em grande parte, alcançável, se as ações necessárias — incluindo, notavelmente, a mitigação das mudanças climáticas — forem implantadas em escala”, destaca o artigo.

De acordo com os cientistas, reconstruir a vida marinha e, portanto, conservar e usar os oceanos de forma sustentável, depende de uma série de ações que diminuem a pressão humana sobre esse ecossistema como: regulamentar a caça, gerir a pesca, melhorar a qualidade da água dos oceanos, proteger e restaurar habitats, reduzir o risco de extinções de diversos seres aquáticos, reduzir a poluição nos oceanos, restaurar habitats dentre outros. 

O documento também apresenta um roteiro prático para a recuperar os oceanos. 

Apesar de todos os dados preocupantes, o estudo conclui que a reconstrução da vida marinha até 2050 é “um grande desafio alcançável para a ciência e para a sociedade”. Uma boa notícia que gostaríamos de compartilhar com vocês hoje, dia Mundial dos Oceanos.  

Cumprir esse desafio requer ações imediatas para reduzir as pressões citadas, incluindo a das mudanças climáticas, além de proteger aqueles locais de vida abundante que ainda restam e recuperar populações, habitats e ecossistemas duramente afetados ao longo dos últimos anos. 

Isso tudo, claro, compreende “pesados” investimentos financeiros, comprometimento e perseverança, além de avanços científicos e tecnológicos, por parte de atores públicos e privados, mas a comunidade científica é enfática em afirmar que os ganhos ecológicos, econômicos e sociais são longevos.

“Enfrentar o desafio de reconstruir substancialmente a vida marinha seria um marco histórico na busca da humanidade para alcançar um futuro globalmente sustentável.”

Acesse o estudo na íntegra.

*Duarte, CM. et al. Rebuilding marine life. Nature 580, 39–51 (2020).