Relatório de Davos alerta sobre relação entre a perda da biodiversidade e sustentabilidade dos negócios. Veja recomendações para as empresas

Não é surpreendente observar que nos últimos cinco anos o Relatório Anual de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial tenha identificado como médio e alto risco a perda da biodiversidade e o colapso do ecossistema e classificado os dois temas como as principais ameaças que a humanidade terá de enfrentar nos próximos 10 anos.

Neste ano, o Relatório, produzido a partir de percepções da comunidade global de negócios, governos e sociedade civil, apresentou um resultado impressionante. Pela primeira vez, os cinco primeiros riscos globais são provenientes de uma única categoria: o meio ambiente.

Isso inclui a perda de biodiversidade como um dos principais perigos nos próximos 10 anos.

Nos últimos 50 anos a economia e a população global evoluíram em muitos sentidos. No entanto, a atividade humana alterou severamente 75% dos ambientes terrestres e marinhos. Cerca de 25% das espécies de plantas e animais foram ameaçados pela atividade humana, com milhões delas beirando a extinção. Sem contar que 47% dos ecossistemas foram reduzidos de tamanho no mundo todo.

O relatório do Fórum Econômico Mundial mostra, no entanto, que US$ 44 trilhões do valor econômico gerado – cerca de metade do Produto Interno Bruto global – é altamente ou moderadamente dependente da natureza e dos seus serviços.

A ameaça da natureza importa para a maioria dos negócios ao impactar operações, fornecedores e mercados.


Por isso, lideranças corporativas têm um papel crucial a cumprir colocando o meio ambiente como o centro dos seus processos e tomadas de decisão a fim de identificar, avaliar, mitigar e divulgar os riscos relacionados à natureza para evitar graves consequências.

As empresas podem e devem fazer parte do movimento global para proteger e restaurar a natureza.

Abaixo, algumas das recomendações do Relatório para que isso se torne realidade.

  • Observar as recomendações do TCFD para antecipar e avaliar os riscos provocados pelas mudanças climáticas à estabilidade financeira da empresa e assim incluir estratégias financeiras e de governança considerando tais riscos.
  • Atentar para que os riscos climáticos façam parte das estratégias de gestão da empresa como o ERM (Enterprise Risk Management) e o ESG (Envronmental, Social and Associated Governance).
  • Também recomenda que governos e reguladores analisem como reconhecer os riscos sistêmicos causados ​​pela perda da natureza ao sistema financeiro por meio de ações estratégicas e políticas, incluindo considerar estender a divulgação do risco climático ao risco da natureza.
  • Identificar as áreas nas quais a transformação estratégica dos modelos de negócios e processos de produção atuais pode contribuir mais para deter e reverter a perda de natureza. e formas de financiar essa transformação.
  • Não ignorar a tendência à sustentabilidade e preservação da natureza para que lá na frente os custos não sejam mais altos. Somente no setor de alimentos e uso da terra, um estudo recente sugere que há uma oportunidade de negócios anual de US $ 4,5 trilhões até 2030 associada a transições para uma economia positiva da natureza, incluindo restauração florestal, aqüicultura sustentável, carne de origem vegetal, agricultura de precisão e regenerativa, e redução do desperdício de alimentos.

 

Confira o relatório na íntegra.